Arquivo da categoria: Síndrome do Pânico

Sobre o Pânico

Apesar de fazer bom tempo que estou controlado e me sentindo bem, ainda assim – lá no fundo – acredito que não está acabado. Por diversas vezes me sinto prepotente, sabendo que preciso lutar diariamente contra um mal silencioso que pode voltar a qualquer momento. Intuo que preciso ficar bem – nessa batalha não existe essa de “não tô legal hoje”. Posso estar sendo severo demais comigo mesmo, mas percebo que precisa ser assim.

Pro meu caso, essa história de buscar ser um homem melhor é mais do que uma promessa de ano novo ou meta semestral. Está mais para uma questão de sobrevivência no universo da minha própria mente. Venho refletindo sobre isto exatamente num momento oposto ao vivenciado há quase um ano atrás. Estou muito bem em todas as áreas da minha vida, passando por importantes transformações para fechar o ultimo ciclo de pendencias que precisavam ser resolvidas. É bem por isso que agora julgo importante esta reflexão. Fica mais claro quando se está por baixo, principalmente quando se aceita a condição doente da mente. Depois da aceitação, a tendência é somente melhorar – como já esteve ruim, dificilmente piora.

Este tipo de reflexão gera desconfiança interna e certa confusão: o menor sinal de dias não tão bons segue acompanhado da dúvida da recaída. O mais importante não é evitar uma possível recaída, mas sim estar preparado para quando ela chegar – se ela chegar – enfrentar de peito aberto e queixo em pé. Se cair, levantar mais forte, seguir meu caminho, aprender a conviver com o meu fantasma interno e eterno. 

Anúncios

Conclusões

Depois de um pequeno hiato, retomo as escritas para dar um fim aquilo que chamei de período transitório. Não teve um fato ou dia específico para dizer que as mudanças necessárias ocorreram, simplesmente elas ocorreram, e quando me dei conta… a tempestade foi embora. Várias coisas contribuíram para essa mudança, e escreverei sobre aquilo que me ajudou.

Familia: foi muito importante nesse processo todo. Quando se está por baixo, a família sempre vai te dar suporte. Eles não ligam para seus problemas ou defeitos, e é ótimo saber que se pode contar com ela, mesmo estando longe.

Amigos: Também essenciais, quando se os tem por perto, ou mesmo eles estando longe. Quebrei meus preconceitos contra as pessoas da “colonha”, conheci muitas pessoas, e fiz novos amigos. Alem disso, foi importante estreitar velhos laços de amizade, apesar de muitas vezes ausente, os velhos amigos sempre vem com uma palavra que pode ajudar.

Individualismo: Uma coisa meio controversa, mas que para mim teve resultado. Durante esse tempo, fiz coisas e me afastei de pessoas da forma que não deveria ser feito. Mas, de certa forma, eu precisava resolver meus problemas por conta própria. Reforço aquilo que disse em uma postagem anterior: é importante buscar a felicidade sozinho, para depois compartilhar com outras pessoas, e poder fazer os outros felizes. Resolvi seguir o caminho mais árduo: o isolamento e egoísmo. Porém, o resultado foi satisfatório, consegui sair de uma crise – sendo isso muito importante para descobrir até onde meu potencial pode ser desenvolvido. Posso me arrepender de algumas atitudes mais tarde, mas… quem é que nunca faz cagada. Ainda mais quando se está confuso e buscando a paz, dificilmente a gente agrada a todos e tomas as decisões corretas. Importante reconhecer os erros e trabalhar para não comete-los novamente.

Acreditar: Uma coisa muito importante, é sempre acreditar em algo. Acreditar que se pode melhorar as coisas, ter esperança. Acreditar que as coisas valem a pena ser vividas e modificadas, acreditar no futuro, na mudança e no amor. Além disso, é importante ter fé em algo superior e inesplicável. Voltei a freqüentar a igreja, coisa que já estava querendo tem um certo tempo, e tem me feito muito bem. Não chega na questão de que deus vai resolver todos os meus problemas, mas consegui ficar mais calmo nesse processo de evolução a partir do momento que busquei a deus.

Trabalho: O trabalho me ajudou muito durante esse tempo. Primeiro para ocupar minha cabeça, depois no meu processo de desenvolvimento pessoal. Nunca falei de trabalho nesse blog, mas hoje estou vivendo aquela que considero a melhor fase desde que cheguei por aqui, e com certeza ter boas perspectivas no trabalho faz toda a diferença.

Lazer: Se divertir e aproveitar as pequenas coisas. Dar risadas bobas, cultivar o bom humor, tudo me fez uma pessoa menos carrancuda e mais leve com a vida. Tenho lido bastante, voltei a andar de bicicleta, tenho mais interações sóciais com amigos que fiz aqui, coisas simples mas muito importante para a minha felicidade.

Estudo: A cabeça nunca pode parar. Estudar ajuda a evoluir constantemente, seja na área profissional, ou em questões particulares da nossa vida. Ajudou na hora de ficar mais concentrado e focado no meu dia a dia.

Amor: Pra finalizar, uma coisa que para muitos pode estar batida, mas que na verdade é a mais importante de todas. Ter amor. Amor, pelas pessoas, pelas coisas, por aquilo que você se propôs a fazer. Receber amor também é de grande importância, ninguém consegue sobreviver sem isso – pra mim o combustível da vida. O poder de transformação das coisas quando se tem amor. Somente assim se enfrenta dificuldades, você se torna capaz de perdoar, de ajudar os outros, você adquire mais serenidade e força pra seguir. Amo a todas as pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida, cada um de uma forma e intensidade diferente.

Essa postagem encerra uma parte importante desse blog, e também da minha vida. A partir de agora, o foco das postagens vão ser mais descontraídos. Essas conclusões servem para avaliar todo esse tempo que se passou, tanto dessa crise, quanto desses dois anos que eu estou na colonha. Dois anos na colonha… como passa o tempo… e que venham todos os outros, agora estou fortalecido para enfrentar aquilo que surgir no caminho, sempre tentando evoluir e buscando não cometer os erros do passado.

O mal do século

Digam oque disserem, o mal do século é a solidão. É o que diz uma musica de Legião urbana, ainda do século passado, mas ainda muito atual. Venho convivendo com o mal do século desde que me mudei pra Colonha, e engraçado que, agora no periodo transitório, acabei descobrindo que isso é muito frequente por esses lados. Conversando com as pessoas daqui, em busca de um novo local para morar, me deparei com vários tipos que apresentam sintomas muito parecidos com os que me fizeram estourar a minha crise. Alguns tem mais facilidade de lidar com essa situação, outros não, ou procuram disfarçar essas coisas.

Venho lendo um livro muito inspirador durante esse periodo, me faz refletir muito sobre a situação atual – vai merecer uma postagem exclusiva assim que eu terminá-lo. Me fez refletir sobre coisas que talvez não seria muito apropriado me aprofundar demais, mas está me fazendo amadurecer satisfatóriamente.

Hoje em dia, todos buscam a qualquer preço a felicidade através dos outros, sem antes buscar a felicidade em si mesmos. Parece ser uma espécie de inversão – entre individualismo e egoísmo –  coisas diferentes ao meu ver. Dizeres do tipo, você me completa e blá blá blá, nos tornam egoistas em querer que o próximo nos faça feliz onde na verdade, deveria existir o individualismo –  eu mesmo me faço feliz.

Ta certo que a idéia de buscar alguem para encontrar a felicidade é aceita, mas de forma moderada. Uma das passagens desse livro que eu estou lendo, diz que o deprimido não tem capacidade de dar ou receber afeto, concordo. Por outro lado, também fala que para se sair da depressão, é preciso ajuda e amor das pessoas que nos rodeiam – pra mim tudo tem sua parcela de participação. No meu caso, a parcela individualista está pesando em mais de 80% diria eu, onde primeiramente venho buscando me resolver pra depois aceitar a idéia de dar ou receber afeto –  fazer ou deixar que me façam feliz. Já usei essa formula antes, porém agora com mais inteligencia e sensibilidade.

É importante manter os contatos sociais, ainda mais hj em dia que as redes sociais tão em alta, fazendo com que as pessoas se vejam cada vez menos. Estou indo pelo caminho contrário. Estou abandonando as redes sociais, e tentando me aproximar mais de corpo presente das pessoas, e olha que isso tem me feito muito bem.

Minha meta essa ano, é diminuir drasticamente meu tempo desperdiçado na internet, tenho conseguido esse feito com êxito – e num futuro próximo, quanto o periodo transitório tiver acabado, prometo um post com minhas conclusões a respeito desse assunto. Agora pra mim é assim, se faça feliz, coloque sempre a sua familia em primeiro lugar,que o restante acaba se tornando consequência.

As vezes é preciso parar pra seguir em frente.

Bom, ano novo iniciando e eu sem fazer aqueles “grandes planos” que alguns fazem no começo do ano. Resolvi mesmo foi entrar em ação para resolver questões que poderiam emagrecer mais ainda esse pobre cão. Como colocado no 1o post desse blog, uma das necessidades desse cachorro magro, a moradia, está novamente fazendo eu me mexer.

Mas, se tudo der certo, vai ser bom, digamos que estou entrando na segunda fase do periodo transitório.  Definição que achei na internet para transição:

1. Transição

Enviado por Genilson Francisco dos Reis (SP) em 20-08-2008
Mudar, transitar.
É um efeito de mudanças gradual de uma imagem para outra.Mais ou menos oque está ocorrendo de uns tempos pra cá. Num primeiro momento, foi a fase de indagações, reflexões, a hora de botar a casa em ordem. Nessa segunda fase, chegou a hora de concretizações, fazer as coisas acontecerem, terminar com a transformação que se iniciou com o estouro da minha crise interna.

Dar uma pausa para reflexão está sendo importante para colocar novamente o trem nos trilhos. O periodo transitório ainda não acabou, mas a segunda fase, apesar de ter começado a pouco, ja esta sendo muito gratificante. Esse ano promete…

Período transitório

Essa coisa de periodo transitório eh estranha. Ta certo que ando muito mais animado, e cheio de ideias para um futuro próximo, mas tenho consiencia de que isso só ta sendo possivel graças aos psicotropicos. Eh como se eu tivesse mascarando a verdade, me blindando artificialmente de algo que não eh oque eu sinto agora. Da vontade de largá-los e ver oque aconteceria, sentir o verdadeiro gosto daquilo que me foi diagnosticado por depressão e pânico.

Tenha clara noção de que os meus amigos comprimidos me livraram de uma duzia de crises desde que comecei este tratamento, e tem me feito bem na medida do possivel, mas eu gostaria de passar pela experiencia, enfrentar meus demonios internos sem a ajuda de farmacos.

Penso que se não encarar de frente meus tormentos, não irei superá-los. Talvez eu ache isso porque me sinto incrivelmente confiante desde que comecei meu tratamento, sem a insegurança que antes me assombrava, mas com a indiferença que me desliga das desimportancias mais importantes dos ultimos dias.

Nenhum médico ou terapeuta pode me dizer oque eu tenho ou oque fazer, só quem ja passou por isso sabe do que se trata e do que eu estou falando, curar algo sem sintomas físicos parece ser bem mais complexo e difícil de entender e de ser resolvido, e o mais intrigante disso eh que se nao me fosse diagnosticado, talvez eu nunca teria descoberto ou encarado de frente o período transitório.

Enfrente seus medos.

 

Uma das coisas que o psiquiatra me disse durante a consulta, a cerca de sindrome do panico, é que uma das formas de cura dos seus medos que podem lhe causar algum tipo de ansiedade é através do enfrentamento direto.

Isso acabou me lembrando uma vez que fomos acampar na ponte dos arcos, em Balsa Nova, acho que em 2005, e olhe que pra mim foi um grande enfrentamento de medos: tanto de altura quanto de água, nesse caso a junção das duas coisas. Como se pode notar na foto, a ponte é alta mesmo, tem 60 metros de altura e 585 intermináveis metros de comprimento.

Mais emocionante ainda, é tentar atravessá-la sem saber o horario exato em que o trem irá  passar, pois existem uns pequenos abrigos muito precarios para voce ficar encima enqto o trem está passando, onde só cabe uma pessoa, e segundo relatos de quem teve a felicidade de atravessar a ponte e dar de encontro com o trem, balança tudo e tem que segurar firme pra nao cair de uma altura dessas.

Isso me lembra também uma cena do filme “Stand by Me”, em português conte comigo, que sempre passava na sessão da tarde, um daqueles que eu considero um dos melhores filmes que ja vi ate hj.

A crise de 27

Historicamente teve a crise de 29, no meu caso veio a crise de 27. Algumas angustias e sufocos, algumas sessões de terapia, uma visita ao psiquiatra e alguns psicotropicos depois, agora posso dizer que pelo menos artificialmente prendi os leões na jaula, de onde espero que eles não saiam tão cedo.

Confesso que é dificil de aceitar que se está doente, ainda mais quando não existem sintomas físicos aparentes para o problema. Antes dessa fase de aceitação, vem a negação e auto-rejeição. Mais ou menos naquela de que homem tem que ser forte, pedir ajuda pra alguem é demonstrar fraqueza, vergonha e sentimento de culpa achando que tudo está ruim e que a culpa é toda minha por qualquer cagada que aconteça.  Pior do que isso, é quando pessoas próximas a você lhe dizem a mesma coisa, mesmo sem querer.

Hoje me sinto mais aliviado, apesar de não aceitar totalmente o diagnóstico a mim dado, serviu de alento e para parar de me cobrar e me culpar tanto assim. Fiquei meio receoso de escrever sobre isso aqui, mas acho que pode ser uma boa forma de extravasar e quem sabe  ir melhorando aos poucos.

Lembro que primeiro foi a perda de interesse por coisas que me satisfazem muito, depois veio a preocupação excessiva com coisas sem tanta importância, a indiferença ou o tanto faz na hora de tomar simples decisões. Depois o panico instalado na viagem a Salvador, o choque ao voltar a minha realidade na colonha, e por fim BOOOM a bomba estoura e os leões saem da jaula para atormentar.

O restante já mencionei no post anterior, ainda bem que durantes os ultimos dias os psicotropicos me acalmaram, mas por outro lado me deixaram muito sonolento. Por um lado eu gostei, cheguei a ficar uma semana dormindo 2 hs por dia, e fora que aos poucos meu apetite vem voltando. Nessa pequena brincadeira, la se foram 6 Kgs perdidos em pouco mais de um mes.

Mas, aos poucos eu supero, ja superei coisas piores e não vai ser isso que vai me derrubar. O panico e a depressão assustam num 1o momento, mas com força de vontade as coisas voltam ao seu estado normal, ou melhor ate quem sabe. Prefiro chamar essa fase de período transitório, e agradeço aqueles que tem se importando cmg nessas ultimas semanas.