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Sobre a Colonha

No feriado da proclamação da república tive a oportunidade de voltar para a Colonha. Tive várias expectativas, principalmente sobre a reação do retorno após ter ido embora de maneira indesejada. Tinha duvidas a respeito dessa mudança, nunca soube se realmente havia superado.

Para minha surpresa foi tudo bem, foi ótimo retornar e rever os amigos. Legal perceber que por mais que as coisas materiais tenham acabado, as amizades continuam fortes como antes. Minha passagem pelo RS ficou no passado, agregou experiência na minha vida.

A saudade, a lembrança e as histórias ficam sempre na lembrança. Com certeza, o período em Marau serviu para me tornar maduro o suficiente para finalmente saber o que quero do futuro. Ganhei mais um destino para passar as férias, e mais um motivo para minhas escritas nostálgicas.

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Refazer as malas

A mudança esta por acontecer. Mas dessa vez, é mudança física mesmo, dessas de colocar as coisas num caminhão e mudar de lugar. Dentro de um mês não estarei mais nesse apartamento, estarei em uma casa – coisa que eu estava almejando faz um tempinho.  São tantas coisas vividas aqui nesses quase 2 anos na colonha, e que agora so ficarão na lembrança mesmo. Mas eu acho que vai ser mto boa essa mudança, deixar o passado pra trás e começar uma nova fase. O fechamento de um ciclo, e inicio de uma coisa nova – novas idéias, novos ideais, novas pessoas, novas perspectivas… As coisas estão acontecendo muito rapidamente ao meu favor, após a crise, está se criando um cenário muito bom pra mim, em todos os sentidos.

A descoberta de novas coisas, e o esclarecimento de coisas que estavam escondidas há muito tempo. Não posso reclamar de tudo o que eu vivi aqui até hoje, foram coisas muito boas. Até mesmo a minha crise eu to considerando boa, já que serviu pra me tirar de um estado de inércia, e ver a importância de mudar meus próprios rumos. Agora quero aproveitar pra entrar nessa nova fase com todo gás, inspiração de sobra, muito estudo e pretendo sempre evoluir.  Sempre se pode melhorar, nem que para isso algumas coisas tenham que ser deixadas pra trás. Sempre que ocorre uma mudança, o final de um ciclo e o inicio de outro, estamos mais abertos a novos planos, um leque de possibilidades que encontramos pela frente. Não necessariamente pode ser o novo – pode ser a reinvenção do antigo: uma nova atividade no antigo emprego, estudar algo novo para ficar atualizado, ou lidar de uma forma diferente com velhas amizades, reaproximações, uma viajem pra repor as energias, enfim tudo é valido pra sair do marasmo.

Só me resta aproveitar os últimos instantes aqui nesse lar, que vai ser deixado pra trás, mas que vai ser sempre lembrado com carinho, e quem sabe em breve faça parte do meu saudosismo desse blog.
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Cadeira de Balanço

Esses dias estava eu voltando do trabalho para a hora do almoço, quando olhei para a sacada de um prédio aqui na “colonha” e tinha um senhor sentado tranquilamente em sua cadeira de balanço. Lembrei na hora do meu vô, o Seu Jorge, que não tinha uma cadeira de balanço, mas ficava as vezes sentado olhando pela janela da mesma forma que o velhinho em questão.

Bom homem era meu vô, sempre justo e amoroso com filhos e netos, adorava contar seus causos, participava das atividades da comunidade do elo perdido, e servia como um patriarca para a família, admirado e respeitado por todos que o conheciam. Tinhamos e ainda temos orgulho de dizer que somos seus netos, quando alguem de lá pergunta quem somos ou de onde viemos, todos falam de boca cheia que sao netos do seu Jorge, ou resumidamente somos dos “prante”.

Ja faz quase dez anos que ele se foi, e eu espero que quando chegar ao fim da vida, consiga o mesmo respeito e admiração, e que eu tenha desenvolvido o mesmo caráter do meu avô materno que ainda me serve de exemplo nos dias de hoje.

Feliz desaniversário

Após completar mais um ano do meu nascimento, resolvi tirar algumas conclusões, acerca do ultimo ano. Há um ano atrás, estaria eu desesperado, ao ver que chegava aos meus 25 (um quarto do meu centenário) e que ainda tão pouco havia realizado na vida. Também motivos eram muitos: sem emprego, sem dinheiro, sem um diploma, e dependendo do pai. Como isso me incomodava um ano atrás.

Eis, que para minha satisfação, muita coisa mudou de um ano pra cá. Sai de casa, consegui um bom emprego, ainda não tenho casa própria (mas tenho parte da mobilia), tenho mais responsabilidades, e consegui motivos especiais para pensar em fazer planos para o futuro.

Foram tantas mudanças, que ainda não consegui fazer um balanço desse ultimo ano, com certeza um dos mais intensos, e por que nao definir como um dos mais decisivos da minha vida até hoje.

O mais engraçado, é relembrar de poucos meses atrás como eu lamentava e reclamava, aparentemente pelo fato das coisas nao estarem acontecendo, e por ter um emprego medíocre só para dizer que tinha uma ocupação. Deve ser a tal depressão pós formatura, quando vem a seguinte pergunta: E agora?

E agora as coisas vão acontecendo, melhorando a cada dia, e espero que as incertezas que ainda me circundam se transformem em concretizações, assim como as que ocorreram no decorrer desse ano.

E porque esse título?

Desaniversário é um dia qualquer em que nao é o dia de seu aniversário, como o dia de hoje.  Esse dia também é para ser comemorado, como todos os dias em que coisas boas ocorrem. Não só quando se completa mais um ano de vida deve ser comemorado com um bolo, mas também os dias em que coisas importantes são conquistadas. Pergunte para uma pessoa que não realizou nada de bom nos ultimos tempos se ela fica contente com o dia do aniversário. Ano passado eu não estava. Não por não ter feito nada de bom até então, mas por não ver sentido nisso tudo. Tem aqueles que falem “ha, mas só  fato de estar vivo deve ser comemorado”, mas não sei, existe diferença nisso tudo.

Como diria um cara que já morreu:

“Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar…

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador…”

E assim a vida segue.

Sobre homens, discos e fitas

Enquanto procurava no deus Google uma foto para ilustrar o ultimo post, me deparei com um poema, e não hesitei em colocá-lo em meu blog, visto que o achei bem realista. Para não dizer que é plágio, deixarei o link original e o nome do autor, antes que alguém venha reinvindicar direitos autorais!!!

Loja de discos – Por: Rodrigo de Araujo

Mundo louco de Arthur Brown
Mundo louco do experimental
Mundo da música
progressiva longitudinal

Olhares distantes
vendedor ambulante em loja
empoeirada

Adolescendo numa cabine
encanta-se o ouvinte!
pouca esperança
disco importado…
vendedor zangado!

O sonho se esvai
a música entona e fica
mas não acompanha
o mundo louco
em dissonância…

http://www.overmundo.com.br/banco/loja-de-discos

Mas afinal, qual o motivo de eu ter postado esse poema? Simples, muito simples.

Nossa, na minha adolescencia era bem isso mesmo que acontecia. Eu peguei somente o finalzinho da época do vinil, e portanto, não me interessei muito por esse tipo de mídia. Não por não gostar, mas sim pela falta de uma vitrola que prestasse em casa, visto que por descuido de meus irmãos que deixaram o toca discos ligado sem disco, aquilo esquentou demais que até chegou a derreter a agulha. Conclusão: ninguém se interessou de arrumar, e quando eu o fui fazer, não encontrei mais agulha para aquele modelo de aparelhagem arcaica.

Mas, voltando ao meu interesse nessa poesia: Lembro nos meus 14, 15 anos, quando eu vivia indo na cia do CD só para ouvir vários albuns sem ter um centavo para adquiri-los. Tambem, um absurdo pagar 40 reais por um cd do pink floyd de 5 musicas. O que dava pra fazer, era juntar minhas merrecas e ir até um sebo ou uma loja de discos usados para adquirir um cd usado mesmo, ou levar a sorte de achar um cd pirateado na rua XV que prestasse.

E como era legal aquilo, passar horas viajando ouvindo musicas que nao poderia adquirir. Ate que em certa época, um japones simpático abriu um estabelecimento que alugava cds. Nossa, foi meu delirio, tinha muitas coisas raras, mas muitas mesmo. Alugava uma porção por semana, e grava tudo em fitas. Depois compartilhava as fitas com os amigos e regravava com qualidade bem inferior ao original, mas ainda sim era uma vitória exibir com orgulho as fitas com canções antes tão raras e quase inacessiveis para nós, adolescentes meros mortais.

Hoje essas coisas perderam seu encanto, graças ao advento da internet e do cancer da indústria fonográfica: as musicas em formato mp3. As vezes, por puro deleite compro cds originais, mas acho que a ultima aquisição foi em 2008, uma compilação de sucesso do Soda Stereo, importado da Argentina pelo meu primo frango.

Acho que qdo eu voltar pra SJP vou desencaixotar as velhas fitas, e ouvir o som ruim dessas musicas que muito inspiraram minha juventude.

Sobre homens e discos

Uma das coisas que considero importante saber de uma pessoa, mas nao muito relevante, diz respeito aos gostos musicais. Ta certo, que muitas vezes existe um preconceito da minha parte, principalmente pelos que se dizem ecléticos. As vezes penso que ser eclético é a falta da opinião própria, mas tudo depende do assunto, e da pessoa.

Esses julgamentos antecipados pelos gostos musicais, sempre são imbecis, já que não somente um fator expressa a identidade de cada um. Mas, que eu fico bem feliz quando encontro alguem com o mesmo gosto que o meu, isso eu fico.

Minha identidade musical, vem se transformando a longo dos anos. Eu diria até mais, se aprimorando. Eu não deixo de ouvir hoje em dia aquilo que ouvia aos meus 15 anos, só agrego coisas novas na medida em que vou envelhecendo. Uma das coisas quem vem se agregando a minha bagagem musical, é a mpb, coisa que eu torcia o nariz ate um certo tempo atrás.

Outra coisa que está mudando, é a minha interpretação em relação a alguns discos que fizeram parte do meu passado, como por exemplo o album A tempestade de Legião Urbana, que hoje eu acho muito mais depressivo e mórbido doque ha uns 10 anos atrás, quando eu adquiri o mesmo. Assim como também o disco Sueno Stereo do Soda, que eu achava bem ruinzinho, mas ultimamente tem me despertado grande satisfação ao ouvi-lo por inteiro.

Eu fico bem feliz ao escutar novamente coisas esquecidas do passado, pois me fazem perceber minha propria evolução ao longo dos anos, e remetem aquela nostalgia gostosa que todos sabem que gosto de relembrar.

O local perfeito.

Recentemente terminei de ler um livro que considerei ótimo. O livro Na natureza selvagem, de Jon Krakauer, que para quem não conhece a história, fala da saga de Chris McCandless. Ainda não defini o perfil desse cara, talvez um visionário, um sonhador ou um lunático, sei lá. De qualquer forma, o livro inspirou o filme de mesmo nome, lançado em 2003, também muito bom, mas com roteiro diferente do original, talvez para deixá-lo mais interessante para as telonas.

O que mais me fascina na historia de McCandless, são seus ideiais, e a idéia de procurar seu local perfeito, onde ele poderia se encontrar e procurar respostas para quem ele era. Até bem pouco tempo atrás eu teria idéias bem parecidas, e até sem fundamento para muitos, como ir de bike até a patagonia, ou morar um tempo em outro país, de preferencia uma ilha desconhecida. Mas isso eu deixarei para outras postagens, afinal, apesar de mudar meus conceitos em relação a isso, ainda tem lugares que gostaria de conhecer, que merecem ser mencionados no futuro.

A questão, eh que essa procura pelo local perfeito, pela felicidade, pelo encontro consigo mesmo, uma coisa natural e existente em todos nós meros mortais. Ainda não descobri onde fica meu “Alaska”. No momento estou muito feliz aqui na “colonha”, mas acredito que ainda não é aqui o meu lugar. Talvez eu nunca encontre, e canse de tanto procurar. O que realmente importa, é que procuro aproveitar meus dias nessa cidade, quem sabe assim, no futuro, eu realmente descubra que aqui é meu local perfeito.

Engraçado, é que desde muito novo sempre tive certeza de que SJP nao era meu lugar, e ainda acho isso. Hoje, mais doque nunca vou descobrindo que nao era meu lugar mesmo, e a cada dia que passa, tenho menos vontade de voltar para lá. A unica coisa que me prende ao local de meu nascimento, sao as pessoas que ficaram pra trás. A familia, os amigos, esses sim me fazem muita falta. Se pudesse traria todos para perto de mim, assim quem sabe esse se tornaria o local perfeito.

Afinal, o local perfeito é formado por pessoas, que se não são perfeitas, nos proporcionam momentos perfeitos, como os que eu vivi em Sao José, como os que eu vivi em Criciúma, como os que eu estou vivendo aqui em Marau, e como os que eu ainda vou experimentar e viver, seja onde for. Afinal, como diz a frase do final do filme, também mencionada no livro: “Happiness only real when shared”. E ainda tenho muitas coisas pra compartilhar, seja com quem nesse momento está perto de mim, ou com quem eu gostaria que estivesse perto, ou seja com as pessoas que fazem, fizeram ou um dia farão parte da minha vida.