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Tudo o que vai, volta

bumerangue-capa

Quando resolvi criar este blog, lembro que havia uma ansiedade criativa, um anseio de expressar-me de uma forma diferente. Escrever sempre ajudou a exorcisar meus problemas, desde muito novo. Talvez eu tenha perdido o hábito de escrever após ingressar na universidade. A escrita mais técnica minou minha criatividade numa época em que eu devia somente escrever relatórios e me dedicar à escrita cientifica.

Anos depois, cerca de oito desde a fundação deste, venho me dedicando mais a escrita em língua inglesa do que na minha querida língua portuguesa.  A sensação que eu tenho é que quando comecei a adquirir mais habilidades com a língua inglesa, eu estava adquirindo uma nova personalidade, uma nova alma. Muitas coisas que expressamos em português podem não fazer sentido em inglês, sendo muitas vezes necessário pensar e fazer rodeios para tentar dizer coisas simples. Escrever em inglês se tornou para mim um desafio, e agora após dois meses vivendo e tentando pensar em outro idioma, senti a necessidade de voltar a publicar no meu velho companheiro.

Este cachorro magro, velho e cansado sai da hibernação para voltar a ativa. Muitos dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem. Este cachorro virtual, posso chamar amigo, ou mais que isso, o interlocutor das minhas idéias muitas vezes não ditas, porém mais fáceis quando escritas. Começo a sentir saudade da minha língua materna. Talvez por isso, mais uma vez o cachorro magro volta a ser o porta voz dos devaneios desta mente as vezes enuviada, as vezes dúbia.

A decisão de morar no exterior surgiu pela necessidade de redescoberta e reinvenção. E nada melhor do que fazer isto em outra língua, com a possibilidade de conhecer pessoas  e outras culturas. Encarar este processo como meu ano sabático – nome enfeitado e já batido para esta nova fase – mas muito apropriado para quebrar e reconstruir conceitos arraigados.

Cada momento experienciado aqui provoca uma espécie de flash back, um disjuntor que cai para uns segundos de reflexão e de conclusão. Espero que muitos destes pensamentos virem postagens por aqui. Mas, como este velho cão sarnento veio e voltou diversas vezes, quem sabe ele perdure por mais um tempo antes do próximo hiato indefinido.

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Um ano após a “colonha”

Hoje faz exatamente um ano que vendi todas as minhas coisas e deixei Marau para trás. Parece que faz menos tempo. Quando eu tomei esta atitude, certamente não imaginava que as coisas estariam hoje como estão. Já contei um pouco da jornada que enfrentei para me reerguer após a decisão de me demitir e abrir meu próprio negócio. O tempo passa muito rápido, e isto me deixa bem feliz, pois desejo que os próximos 3 anos passem rápido também. De um ano pra cá, estou numa corrida de recuperação. Nunca que iria imaginar que após um ano, estaria prestes a morar perto da praia, quase sem dívidas, e colocando em prática os sonhos antigos de mudança.

Ainda tenho dívidas, mas não tenho mais o saldo negativo na conta. Perdi 16 quilos, melhorei minha postura, minha saúde, meus hábitos alimentares. Me tornei mais ativo, mais sereno, e aos poucos estou me tornando mais frugal (coisa que já planejo fazer desde 2012).

Consegui me tornar menos ansioso,  mais paciente, ainda mais sabendo que o próximo triênio será um período de sacrifícios e transformações. Agora que a estabilidade está voltando, é bom enxergar com clareza o futuro. Estou dando novamente um passo importante, uma nova fase desde que cheguei em Itajaí. Morar sozinho está me deixando mais motivado, mais feliz, e mais confiante sobre o sucesso das minhas escolhas.

Se antes batia o desespero de estar perdido, hoje vem a felicidade pela recuperação. Mesmo sendo lenta, ainda assim acho vantajoso pois está me ajudando a praticar a paciência, a capacidade de esperar. Não estou esperando as coisas acontecerem, estou aguardando os resultados que ainda irão demorar certo tempo para serem colhidos. O amadurecimento pode vir tardio, mas será com glórias por ser algo que me dá sentido.

Sobre a Colonha

No feriado da proclamação da república tive a oportunidade de voltar para a Colonha. Tive várias expectativas, principalmente sobre a reação do retorno após ter ido embora de maneira indesejada. Tinha duvidas a respeito dessa mudança, nunca soube se realmente havia superado.

Para minha surpresa foi tudo bem, foi ótimo retornar e rever os amigos. Legal perceber que por mais que as coisas materiais tenham acabado, as amizades continuam fortes como antes. Minha passagem pelo RS ficou no passado, agregou experiência na minha vida.

A saudade, a lembrança e as histórias ficam sempre na lembrança. Com certeza, o período em Marau serviu para me tornar maduro o suficiente para finalmente saber o que quero do futuro. Ganhei mais um destino para passar as férias, e mais um motivo para minhas escritas nostálgicas.

Um ano após o “grito”

gritoNesta semana fazem seis meses que deixei a “colonha”. De quebra está fazendo um ano do “grito da liberdade”. O “grito” é como eu chamo a atitude que tomei de ter saído da empresa que eu trabalhava na “colonha” para tentar algo novo.

Entre perdas e ganhos, tirei a lição do crescimento pessoal. Perdi muito mais do que ganhei até agora, mas aos poucos eu começo a obter ganhos. Estou realizando meu desejo de trabalhar em uma grande empresa. Isso por si só é uma grande experiência de crescimento pessoal. Outra coisa que aprendi é dar valor para aquilo que se tem. Entendi que mais do que querer crescer e ser mais e ter mais, é importante valorizar o caminho trilhado até o momento. Passei por dificuldades financeiras, e ter saído do RS para voltar pra casa de meu pai foi talvez a decisão mais difícil que eu tomei nos últimos anos. Mais difícil até do que largar o emprego.

O legal, é que depois de sofrer as consequências das minhas escolhas, começo a crescer novamente. Tive que dar dois passos para trás, mas entendo que isto seria necessário para avançar cinco passos para frente. Comecei a pensar sobre isso voltando da casa do meu pai no ultimo final de semana. No caminho, percebi como estava feliz por mudar novamente de cidade, por ter um bom emprego, e principalmente por começar a trilhar novamente minha independência.

Nunca tinha pensando em morar na praia, mas isto é outra coisa legal da minha mudança. Já morei na cidade, na “colonha” e agora no litoral.  Com o tempo começando a melhorar, as opções começam a surgir. O fato de eu não trabalhar pela manhã, também ajuda. Consegui outra coisa que queria faz tempo: ter tempo livre durante o dia. Quero comparar minha situação quando tiver completado um ano por aqui. Até agora foram dois meses, e levando em conta as experiências que venho adquirindo, acredito que terei conseguido uma coisa que eu muito desejava quando passei pelo período transitório: tornar-me um homem melhor.

Período Sabático

cachorro pensa E eu que acabei dando um tempo desse blog, mesmo sem pensar em fazer isto. Não se trata de falta de tempo, me falta tempo criativo – o ócio criativo. Engraçado como a inspiração simplesmente some quando a cabeça está muito ocupada com outras coisas.
Há pouco mais de dois meses, iniciei um projeto pessoal que gostaria de colocar em prática muito tempo atrás. Abri meu próprio negócio. Logo pensei: beleza, terei mais liberdade para meus horários. Isso realmente eu tenho, mas junto com isto vem a pressão interna: preciso ganhar dinheiro.
Quando se trabalha de empregado, fazendo as coisas bem feitas ou não, sabemos que ao final do mês o dinheiro estará na conta.
Trabalhando como dono não. E olha, eu que achava que não teria mais pressão, me enganei completamente. A pior pressão que existe, é a pressão interna. Pressão no trabalho você enfrenta em alguns momentos entre as 8 e as 18. Pressão interna ocorre 24 horas por dia, enquanto se trabalha, descansa ou dorme.
Se eu me arrependi? Não mesmo. A experiência tem sido ótima. Desenvolvi várias habilidades que nem sabia que possuo.
Considero essa etapa da minha vida como meu período sabático, bom para colocar minhas idéias em dia no momento pós crise.

Fábrica de sonhos

Ontem, voltando da aula da pós, e depois de uma conversa que tive com meu patrão no trabalho, comecei a refletir sobre como nossos sonhos profissionais são construídos. Vou falar por mim, não no geral como as coisas se passam com os outros. A época da faculdade me pareceu o maior período da fabrica dos sonhos. Nessa época surgem muitos planos e ideias a serem concretizadas durante a após a formatura. Engraçado, pois todos fazem planos, quero fazer isto, quero trabalhar com aquilo, em tantos anos vou ganhar tanto, coisas assim.
Discutindo certa vez sobre este assunto com um dos meus sócios, e ex-colega de faculdade, falamos da ilusão que os professores vendem enquanto somos estudantes. Falam de salário inicial de 5 mil reais, de que o mercado de trabalho está precisando de gente qualificada, essas coisas assim. Na verdade, durante esta conversa chegamos a conclusão de que é justamente esta uma das funções dos professores na universidade – vender o seu produto: o conhecimento. Imagina se eles desanimassem os alunos, como frases do tipo “olha, não quero te desanimar, mas você não vai sair ganhando mais do que 1700 depois de formado, isso se você conseguir um emprego”. Eles devem fazer este tipo de coisa para estimular o sonhos dos alunos – a universidade é alimentada de sonhos.
Já pensaram, quantas pesquisas brilhantes surgiram através de sonhos alimentados por professores e pesquisadores. Quantos produtos foram criados, doenças curadas, como a vidas melhoradas através do empenho de sonhadores que acreditaram numa ideia e foram atrás da sua concretização.
Falei somente do ponto de vista de um ex-universitário, acabei percebendo bem esta questão agora que voltei a estudar. Mas, isso não quer dizer que depois de formado paramos de sonhar. A maioria, infelizmente cai na realidade do dia depois da formatura, e se não conseguem emprego naquilo que gostaria de realizar, por necessidade acabam trabalhando naquilo que encontram. Com isso o tempo vai passando, os sonhos vão se aquietando e tudo vira uma rotina. E onde foi para o sonhador, o recém formado cheio de ideias que iria mudar o mundo? (frase de uma palestra de Daniel Godri, estou dando os créditos!)
Não quero colocar aqui, que é preciso fazer faculdade para sonhar, este é somente um ponto de vista sobre uma classe de sonhadores. Todos são sonhadores, em maior ou menos grau. Outra classe de sonhadores – os empreendedores se destacam por não ficarem somente no planejamento. Colocam seus sonhos em prática, ou realizam tarefas que em longo prazo possam contribuir na realização de sonhos. Estou entrando para este time. Se me perguntarem hoje quais sãos os meus sonhos profissionais, não serei capaz de responder. Tenho tantas vontades, que não posso dizer que estou plenamente realizado com aquilo que tenho hoje, ou com os planos profissionais que eu tracei para mim para um futuro próximo.
Quem sabe, em alguns anos eu consiga responder esta pergunta, ou simplesmente diga que ainda não parei de sonhar, que ainda não conquistei meus sonhos profissionais. Quem para de sonhar para no tempo, estaciona – e olha, é preciso muito esforço para não deixar que os sonhos morram ou envelheçam.

Folha em branco

Assim são as coisas: a cada dia que nasce, uma folha em branco para escrevermos nossa história. Ao contrario das páginas onde se pode escrever e apagar, na vida não conseguimos fazer isso. Meio manjado esse pensamento, inclusive uma letra de musica me deu inspiração para escrever sobre isso.
De novo aquela velha questão: tantas opções e caminhos para seguir. Cada dia novo é uma folha em branco e podemos reescrever nossa história, certo? Bom se fosse como num papel, reescrever tudo de uma vez só e os novos rumos se fazem num intervalo curto de tempo. Na realidade, leva tempo para as grandes transformações. Então, eis que surgem as opções:
Qual caminho melhor a ser seguido? Existem quatro opções: Seguir em linha reta e continuar na segurança do caminha já conhecido – algumas pedras durante o percurso, mas tudo relativamente fácil de ser contornado.
Existe o caminho da direita, onde se deve seguir reto por mais um tempo, e então surgirá a estrada para virar para essa nova direção. A segurança também está presente nessa opção, mas com o risco da entrada a direita não surgir, ou passar desapercebida.
Existe o caminho da esquerda, o mais arriscado e desconhecido de todos, porém pode se mostrar o mais recompensador. Grandes conquistar demandam correr grandes riscos. Apesar de ser o mais recompensador, não é o caminho que satisfaz totalmente.
A quarta opção, um pouco mais complicada, mas também possível: Pegar esquerda, e depois de um curto desvio, ir para a direita. Apesar de ser a mais trabalhosa, ao mesmo tempo se torna a mais tentadora. Aquela que permite a experimentação de todos os caminhos possíveis.
Seguir reto já se sabe como será, para a direita não se conhece – apesar de ser o mais satisfatório, e pela esquerda – o mais recompensador é também o mais arriscado. Tomar a quarta opção, é provar um pouco de cada percurso, mas levando finalmente ao caminho da direita: A abertura para o novo, através da passagem por todas as possibilidades.
Confuso isso não? Se não entendeu nada disso que foi escrito, imagina quão confuso se tornou para aquele que escreveu. Pois é, a próxima folha em branco desse blog pode relatar as escolhas, ou simplesmente deixar passar batido. Afinal, no papel e no blog tudo se aceita.