veia literária

Na persistência

Geni no passado foi uma mulher sofrida. Desde muito cedo, teve que aprender a lidar com as cacetadas que a vida nos dá. Perdeu a mãe quando tinha somente sete anos. Ficou morando com pai, auxiliar de pintor. Apesar dos esforços, seu pai não dava conta de sustentar a casa e tomar conta de Geni. Gelson um homem dócil e amava sua filha. Não suportava a ideia de sua esposa ter falecido cedo, devido a um câncer do colo do útero. Sentia-se culpado pela morte, já que não realizava uma higiene intima adequada – fator este que contribui para que sua companheira adquirisse o papiloma vírus.
Devido a essa culpa, Gelson virou alcoólatra, por várias noites deixava Geni sozinha em casa, ainda criança, enquanto se embebedava no bar. Certa vez, chegou muito alterado em casa depois da bebedeira, e pediu para sua filha lhe fazer um café. Geni coitada, tinha apenas doze anos na época, e derramou o café quente encima do seu pai. O borracho incontrolado, aplicou aquela surra na menina, enchendo ela de marcas, e queimou o braço dela com um ferro quente de passar roupas.
Depois do ocorrido, e da denuncia feita por vizinhos, Gelson perdeu a guarda da filha, que foi morar com a avó materna. A cicatriz ficou marcada na pele de Geni, ainda que pudesse retirar as marcas com uma simples cirurgia a laser, preferiu deixar aquele como o sinal de sua transformação pessoal.
Gelson morreu pouco mais de um ano depois, por intoxicação alimentar. Geni cresceu, aprendeu muitas coisas com sua avó, a quem ela tinha muito carinho pelos bons cuidados que recebeu. Quando tinha dezessete anos, sua avó faleceu, e Geni sem ter com quem ficar, acabou indo morar num orfanato mantido pelas freiras devotas de Santa Efigênia.
Ao contrário daquilo que se pensa, as maiores lições de Geni não foram a educação religiosa e a disciplina, mas sim maneira de trapacear, de espionar, técnicas de defesa pessoal e de luta greco-romana. Aprendeu ainda a atirar, a se esconder e aprendeu como influenciar pessoas. Acontece que nesse lugar, moravam duas irmãs que haviam estado em um educandário para menores infratores. As duas logo de cara simpatizaram com Geni, e ensinaram tudo aquilo que haviam aprendido nos dois anos que haviam passado enclausuradas nessa instituição.
Geni saiu do convento aos vinte e um anos, depois disso acabou conhecendo um rapaz soldado do corpo de bombeiros, com quem se relacionou por certo tempo. Conseguiu através dele contatos para a realização de curso de detetives. Agora ela tinha uma profissão. Se sentia injustiçada por aquilo que a vida havia lhe proporcionado. Por outro lado, estava satisfeita com a grande experiência de vida adquirida ainda muito nova. Sendo assim, tinha agora como missão ajudar a diminuir as injustiças no meio em que vivia. Através de seus serviços reaproximava pessoas, desconstruía famílias, e até mesmo encontrava bichinhos de estimação desaparecidos.
Porém, não sabia o que esperava pela frente, o grande desafio que iria mudar de vez os rumos da sua existência. Esse momento chegou, exatamente ao ver uma senhora simpática sentada num banco de praça – apreensiva e preocupada – um cartão com o número de seu telefone nas mãos. As duas se entreolharam firmemente por alguns segundos e apertaram as mãos. Agora não tinha mais volta, as duas estava envolvidas e seguiriam juntas nessa história até o fim.

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