nostalgia · veia literária

Tardes de verão

Josiel é um menino de 13 anos, muito esperto e inteligente que mora com seus pais e com seus avós. Ele está muito feliz no momento, pois chegaram as férias de verão, e logo virá a festa da empresa onde sua mãe trabalha. Esta festa é considerada não só por ele, mas também para alguns primos que passam as férias de final de ano em sua casa, o evento do ano.
A temporada toda de férias é uma coisa aguardada durante o ano. Primeiro, por ter as festas de amigo secreto da escola, e a noticia da sua aprovação para o ano seguinte. Por ser muito estudioso, o piá já sabe de antemão que está aprovado, agora para a oitava série. Isso o deixa ainda mais feliz, pois em breve ele estará no seu ultimo ano do primeiro grau – coisa que significa respeito e domínio na escola, sobre os demais estudantes.
Agora ele está feliz, pois durante a festa de natal da empresa, ele terá um delicioso jantar, ganhará um bom presente de natal, e ainda de quebra ele verá a garota filha do patrão. Mesmo sendo somente em sonho, já que ele não tem a coragem suficiente para falar com ela, ele fica feliz ainda assim. Além do mais, seus primos irão lhe visitar, coisa para se comemorar igualmente.
Além disso, o verão ainda vem com a promessa de outras atividades, como pescarias no final da tarde, futebol enquanto não escurece, jogar futebol de botão e assistir a copa SP de futebol jr. Esse ano é ainda mais especial, pois foi montada uma balança na árvore grande que tem no terreno da Jurema. Um divertimento a mais para suas tardes.
O tempo vai passando, e numa dessas tardes Josiel e sua trupe resolvem jogar bola na cancha de areia que fica atrás da igreja. Chegando lá, eles ficaram espantados ao ver um ônibus estacionando no local onde eles praticariam o esporte. Curiosos, eles se escondem e observam a movimentação: crianças brincando na areia, aos cuidados de suas professoras. A coisa estava desinteressante, até que uma das crianças jogou uma bola pro mato. Josiel ficou atento, na esperança de ninguém achar a bola.
E assim seguiu, enquanto se preparavam para ir embora, procuravam a bola perdida e nada. Josiel aproveitou e pegou o artefato, observou e viu que a bola era da copa de 94, uma relíquia com as bandeiras de todos os países participantes do mundial. Não hesitou em nenhum momento, estava decidido a ficar com a bola.
Porém, ao ver a preocupação das professoras, acabou ficando com remorso, e decidiu fazer aquilo que achava mais correto – devolver a bola. De premio, ganhou um beijinho de uma das professoras, ficou todo corado e com a consciência tranquila. Levou uns cascudos de seus primos que não aprovaram a sua atitude. Pra finalizar, enquanto voltava para casa, Josiel achou uma nota de dez reais, e todos foram jogar fliperama e tomar refrigerante no bar.
Foi uma tarde simples, porém muito divertida, e que até hoje está na lembrança de todos aqueles que vivenciaram esse episódio.

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