Gangorra

É engraçado quando paramos para pensar sobre a construção ou abandono de comportamentos e ações em nossa rotina. Muitas vezes precisamos de uma disciplina monstruosa e bem planeada para incluirmos alguma coisa que julgamos ser benéfica – levar uma vida mais saudável por exemplo. Entretanto ocorre as vezes da gente simplesmente fazer movimento na direção certa e os bons resultados só surgem.

Tenho tido esta percepção por ver algumas lacunas sendo preenchidas, outras sendo deixadas pela metade. O que antes era simples e prazeroso para mim (olha as atividades físicas aí), tornaram-se um fardo agora. É tipo quando você tem aquela torneira pingando em casa e sempre deixa para depois. Só que este depois normalmente é quando a água jorra por todos os lados e a bagunça a ser consertada é bem maior, o estrago também. Mesmo tendo este sinalzinho de alerta piscando, faço o que posso. E fico bem orgulhoso quando a disciplina prevalece e saio, mesmo no frio, para um pedalzinho ou uma horinha na academia. Faz um bem enorme, e mesmo que eu venha perdendo esta briga interna contra a minha procrastinação, ainda não joguei a toalha.

Por outro lado, uma vontade grande de viver e alterar o curso da minha jornada surgiu após minha queda da cachoeira e a morte precoce de um grande amigo. Aquelas áreas que estavam um pouco adormecidas, aquela sujeirinha que eu varria toda vez pra debaixo do tapete e me sentia incomodado mas eu deixava pra depois. E coisas que antes pareciam extremamente dificeis tornaram-se até mais fáceis do que eu planejava, simplesmente por eu ditar a regra do só vai lá e faz.

Certa vez um amigo me disse pra parar de só correr atrás e passar a aproveitar o que já tenho. Que se fosse pra virem coisas boas, elas viriam por acréscimo. E, muito sábio como sempre, ele tinha razão. Tanto que não elaborei nenhuma resolução para este ano, ao contrário do ano passado. Só fui vivendo intensamente o que eu já tinha, e ao invés de crescer pra cima, resolvi crescer para os lados, sustentar a minha base.

E assim as coisas boas surgem, e as últimas semanas tem sido tão boas, que por vezes me pergunto como não considerei esta perspectiva antes. Mas a nossa vida é uma enorme colcha de retalhos sem fim, e os erros de ontem só alicerçaram os acertos de hoje, assim como os erros de hoje farão o mesmo com os acertos de amanhã. Só quero a sabedoria para tomar decisões, e o equilibrio suficiente para superar as dificuldades quando surgirem novamente. Acho que é um sinal da maturidade chegando, e gosto muito desta nova perspectiva.

Será que existe vida em marte

Seria egoísmo ou presunção achar que somos únicos dotados de inteligência superior (ou pelas atitudes de muitos nem tanto) no vasto e desconhecido universo. Eu mesmo já presenciei um OVNI (já contei esta história por aqui). O que faz muitos pensarem que não podemos ter vizinhos nos espreitanto por aí? Eu acredito que estamos sendo visitados há muitos séculos, mas que por algum motivo ainda desconhecido, não estamos preparados para o impacto de tal revelação.

Imaginem só o quão desolador será para pessoas que creem em alguma religião receber uma notícia dessas. Se nós meros terráquios já somos causa suficiente do caos em que vivemos, imagina outros seres superiores vindo de outras esferas globais. Ainda não estamos preparados, ou seríamos imaturos ou incapazes de aceitar tais fatos?

Enquanto não obtemos respostas, o que nos resta é nos divertirmos com as diversas teorias da conspiração. E destas a internet e o imaginário popular está cheio. Recomendo o documentário Eram os deuses astronautas?, que leva o assunto para uma esfera um pouco mais fantasiosa, mas muito interessante para reflexão.

Eu gosto da corrente de pensamento de que estamos sendo observados (e até visitados) por outros. Espero estar vivo ou com sanidade mental suficiente para processar as revelações quando forem a hora adequada. Enquanto este dia não chega, olho para o céu mais uma vez em busca de flying saucers in the sky.

Ah a idade!

Estou ficando velho! Apesar de repetir diversas vezes por brincadeira, acho que agora a ficha caiu de vez. Fios de cabelo e barba brancos começam a surgir. Já percebo que não tenho a vitalidade de antes. Apesar de eu não aparentar a idade que apresento, o resto do corpo indica que o peso dos anos estão por vir.

Daí eu entendo que agora sou eu o tiozão da sukita (olha aí uma referência que só velho entende). Vejo que estou por fora das muitas novidades. Não que eu tenha parado no tempo, só me aquietei com os gostos que já possuo. Até os costumes e atividades de lazer estão ficando mais com cara de tiozão.

Mas ainda há esperança. Ano passado eu considero como sendo a minha melhor fase – me sentindo bem física e mentalmente, esbanjando vitalidade, aparência e cabeça boa. Mas então, qual foi a mudança? Talvez um trabalho mais estressante, ou problemas da vida pessoal um pouco mais agravados que outrora. E ainda outra pergunta, será que vale a pena lutar contra o peso da idade?

Não existe resposta certa. Aliás, não preciso lutar contra nada. Creio que é hora de aproveitar a sabedoria que adquiri com a minha rodagem a meu favor. E olha que modestamente falando, isto eu faço e muito bem. Talvez uma atenção maior com a saúde, maneirar nos mals hábitos e construir, ou readequar os bons. Umas boas risadas da situação e levar a vida mais leve também ajudam. Não vão fazer com que eu rejuveneça, mas ao menos não vão deixar que eu me torne um velho ranzinza.

Red Oak

Uma das formas que utilizo para continuar treinando meu Inglês, é ouvir rádios internacionais. Eu ouço atualmente a BBC de Liverpool, a RTE da Irlanda e a Falkland Radio, das Falklands. Mas faltava uma rádio do Ingles americano. Testei várias, mas nenhuma havia prendido a minha atenção. A única excessão foi a Moose Radio, mas esta eu ouço tem mais de dez anos (programação musical realmente boa). Ao pesquisar melhor, acabei por encontrar a KCSI, rádio de Red Oak, Iowa. A minha surpresa ao ouvi-la foi ver que trata-se de uma rádio que basicamente toca noticías misturadas ao Country Music.

Disse várias vezes por aqui que não gosto de sertanejo, mas com o Country americano a coisa foi diferente. E na medida em que comecei a me familiarizar com a programação da KCSI, fui ficando por dentro das coisas que ocorrem na cidade. A rádio não toca só música, reúne notícias locais e nacionais. Tem transmissões esportivas da cidade (foi interessante ouvir a transmissão de uma partida de basquete do time da escola da cidade contra o time da cidade vizinha). Até mesmo com os comerciais já me familiarizei. Se morasse por aqueles lados e meu carro estragasse, certamente eu iria até o John’s Mechanicals para consertá-lo. E se quisesse uma pizza, com certeza no Pizza’s Ranch que eu encontraria a melhor Chicken Pizza da cidade.

Mas a coisa ficou séria mesmo quando me peguei comentando sozinho a situação política local, após a discução sobre a aprovação de novas leis ambientais para as agroindústrias da cidade. Acho que fui longe demais. Me deixa satisfeito perceber que mesmo sem prestar atenção o tempo todo ao que estou ouvindo, continuo com um bom nível de entendimento da língua inglesa. Recomendo como dica para treinar o listening, uma forma de deixar o estudo mais prazeroso no dia a dia.

Encerro com um vídeo de apresentação da cidade, parece-me ser um ótimo lugar para fixar residência, não?

Troféu Cachorro Magro 2021

Atrasou, mas finalmente chegou! A mais esperada premiação da blogosfera retorna triunfante (tá, era pra ser em 31/12, mas estava num local sem sinal de internet, então vai ser agora mesmo!). Lembrando que os escolhidos não refletem necessariamente lançamentos de 2021, mas sim aquilo que consumi e considerei como mais relevante no ano. Mas, chega de enrolação que isto aqui tá quase igual revelação de segredo do programa do João Kleber.

Vamos aos premiados

Música – Dear today – Luke Combs

Banda – Tears for Fears

Album – Michel Teló – Pra ouvir no fone

Livro – Em busca de sentido – Viktor Frankl

Filme – Estrada de sonhos

Canal do Youtube – América Rural

Podcast – Frequência X

Site ou blog – Ebb and Flow

Parabéns aos premiados. E para aqueles que não venceram, esforcem-se para serem os escolhidos da próxima edição. Para encerrar, fiquem com um vídeo da música do ano. Até a edição 2022!

Das alegrias

Escolhi uma imagem para iniciar 2022. E tinha que ser assim, uma imagem que eterniza um momento feliz. A foto em questão foi tirada em maio de 2018. Marcava um tempo de mudanças e de recomeços. Representava uma época de esperanças, de planos para cada um de nós que ali está presente.

O evento em questão era da final do Eurovision, tão popular entre os europeus, e que eu sequer fazia idéia de que existia tal coisa por aqueles lados. Só que mais do que isto, esta imagem representa a alegria. Um momento feliz. Daquelas noite de leveza, onde o que importa é apenas curtir o momento. Com intensidade, com intenção.

Cada um de nós tomou caminhos distintos. Não tínhamos noção alguma do quanto o mundo e nossas vidas mudariam até chegarmos ao dia de hoje. E ao ver esta foto, eu reflito que por mais que tenhamos nos planejado, jamais saberemos o que o futuro nos reserva. Mas podemos escolher entre a aflição dos ansiosos, ou a leveza dos otimistas. E eu quero começar este ano do segundo modo. Com alegria, esperança, e sempre buscando fazer o meu melhor.

Que tenhamos um 2022 de muita força e boas perspectivas. Que possamos ter também muitas alegrias, mesmo que breves (mas que sejam aos montes). No fim das contas é isso que levamos, as lembranças dos momentos felizes.

Resoluções

Estamos em época bem propícia para as famosas resoluções de ano novo. E junto vem toda a positividade e todas as suas ilusões e consequências (boas ou não). Resolvi não ter resoluções desta vez. Eu sempre fazia, mas ao fazer o balanço dos últimos doze meses, eu acabava por ficar um pouco frustrado.

Mas não foi a frustração que fez com que eu abandonasse as resoluções desta vez. Foram as mudanças repentinas e abruptas. Sei lá, percebo que a vida pode nos pregar peças, mais hora ou menos hora. Tenho tentado viver o presente nos últimos meses. É difícil, a mente divaga entre passado e futuro, e focar no agora é uma árdua tarefa.

Tenho uma alta exigência profissional por resultados, metas e prazos. E percebi-me um tanto estafado ao fazer o mesmo na minha vida pessoal. Não me entenda mal, eu gosto muito do meu trabalho, mas o ritmo frenético a qual me submeto diariamente requer um equilíbrio mais suave no pós-corporativo. Devo ter escrito algo em algum momento por aqui sobre as armadilhas das metas. Ainda assim, eu me submeti a um curto experimento de mini-metas, as quais não consegui cumprir todas.

Sendo assim, nesta tentativa de focar no agora, tento guiar minhas escolhas e ações com a simples pergunta: devo ou não levar isto em frente? Nesta dicotomia simples do sim -não – justifique sua escolha, eu consigo refletir por um momento. Consigo me guiar pela sensatez das boas escolhas, e ao mesmo tempo elimino a ansiedade e a pressão dos resultados inatingidos e inatingíveis.

Das Sumidas

Vez ou outra a história se repete. Fico ausente das redes, concentro-me mais no mundo físico. Gostaria de manter a minha frequência – não só de postagens, mas de leituras também. Mas a vida tem cobrado tanto. Os últimos meses não tem sido fáceis para o cachorro magro aqui. Se por um lado minha vida entrou numa fase bem positiva, por outro lado tive vários eventos que testaram não somente minha sanidade física, mas mental também.

Nos últimos meses houve a doença do meu pai, que se recupera bem, mas que ainda assim inspira cuidados. E foi aquela virada de chave, do pai protetor pro filho protetor. Teve a morte repentina de um grande amigo, jovem, que foi impactante e inesperado. E isto deu outra perspectiva sobre minhas prioridades. E de repente vi que este espaço já não é tão prioritário assim.

Teve meu pequeno acidente na cachoeira, que ainda deixou suas marcas e aquela pontinha de preocupação com minha saúde. Mas teve também coisa boa, a minha mudança de emprego. Muito aprendizado e crescimento pessoal e profissional. Teve uma maior aproximação com as pessoas que amo, com minha sensação de pertencimento.

Tá certo, isso não explica meu sumiço, nem foi esta a intenção. Talvez só aquela vontade de jogar palavras ao vento, de matar um poquinho a saudade desse lugar. Talvez eu volte com mais frequência, talvez não. Mas o volte sempre vai estar por aqui toda vez que eu julgue necessário. E aqui eu sei que sempre serei bem vindo. Sempre.

Os barcos

Quase que diariamente ele se flagra nas lembranças de um certo alguém. Da pessoa que se foi e não voltará. De tempos que ficaram na memória. Memórias estas de coisas boas, já que as ruins normalmente se apagam com o passar do tempo.

Quase que diariamente ele se pega com as ruminações das histórias acabadas, mas que parecem inacabadas. Uma fuga da realidade, e ele lembra dela novamente. Dos jantares em que a espera do prato chegar parecia eterna. Da vez em que o garçom esqueceu de repassar o pedido, e a espera desta vez sim foi bem eterna.

Quase que toda vez em que ele ouve o Renato Russo cantando “e você diz que tudo terminou mas qualquer um pode ver que só terminou pra você” ele pensa a mesma coisa. Como era gênio e simples ao mesmo tempo este Renato. Mas não terminou só pra você, terminou pra ele também. Só que as lembranças e a saudade as vezes não querem aceitar este fato como verdade.

Só que não há mais saudade. Ele nem quer mais revê-la. Ele até acha que isto faria mais mal do que bem, e fica feliz por estar blindado por quilômetros de distância que separam os seus corpos. Mas não separou os corações. Ao menos não o dele. Nem o pensamento, que todo dia prega uma peça nele. Que todo dia pergunta, será que ela tá bem?

Seria esse o tal do amor incondicional? Amar sem ter, sem ao menos querer ter. Sem ao menos saber se sentirá ou viverá coisas que a memória todo dia o faz lembrar – o que o coração não esquece. Até tenta, mas não percebe, que é intrínseco, visceral. Não tem como desfazer. Só aceitar, ficar um pouquinho triste, suspirar e dizer pra ele mesmo “vida que segue“. E assim a vida segue.

Rio grande amado

Passam-se os anos, agora mais de três desde que deixei definitivamente o Rio Grande para trás. Na primeira vez em que saí, com o coração partido, meio a contra-gosto eu disse a mim mesmo “Um dia eu volto”. E voltei mais cedo do que imaginava, cerca de um ano e quatro meses depois. A segunda vez foi a despedida. Minha história em terras gaúchas chegara ao fim.

Olhando para trás tenho sentimentos controversos com aquela terra a qual considero a minha segunda casa. Casa esta que apesar de me receber muito bem, jamais me deixou totalmente à vontade. Sempre me senti um forasteiro, mesmo tendo me integrado. Sinto saudade e asco ao mesmo tempo. Saudade ao relembrar dos amigos e dos bons momentos. Asco ao reviver a solidão e todas as vezes em que me senti perdido. Tenho amor e orgulho por tudo aquilo que fui capaz de conquistar naqueles quase oito anos. Ódio pelos equívocos e pelas histórias que foram interrompidas no meio.

Entre ganhos e perdas as coisas boas sempre permanecem. Não sei se algum dia voltarei lá, nem mesmo para visitar. Não que eu não queira, apenas não julgo momentaneamente adequado. Tenho a impressão de que o RS ficou de vez para trás, e retornar seria uma espécie de retrocesso. Mas eu pensava a mesma coisa de voltar para SJP.

Sempre falo com orgulho e empolgação do meu tempo por lá. Tempo este que transformou meu sotaque. Até hoje muita gente pensa que sou gaúcho. Tempo este que trouxe pessoas fantásticas para a minha vida, que moldou o profissional e o homem que sou hoje. Tempo este que as vezes dá vontade de reviver, que as vezes me pego devolta a alguma ocasião específica. Que me faz comparar, e que acima de tudo, me faz concluir de que foi uma das melhores escolhas da minha vida. E que de tão boas, talvez por isso devem ficar no passado, no campo das memórias. Nos campos do Rio Grande amado.