Entre conversas e pubs

E é adaptando o nome dum blog famoso por aí que eu inicio este artigo. Lembro-me bem que a coisa que mais me empolgava antes de ir para a Irlanda era a possibilidade de conhecer os seus tradicionais pubs. As cervejas em si eram para mim um mero detalhe. Eu estava interessado no ambiente e na mística que cerca os pubs irlandeses. Quando eu assisti o vídeo abaixo, eu fiquei cada dia mais ansioso para desembarcar na ilha esmeralda.

E servia até de motivação, para os momentos em que eu eu achava que não iria aguentar o tranco antes da viagem. Só para relembrar, antes da viagem eu trabalhava diariamente durante 14 horas por dia, minhas folgas resumiam-se em uma tarde aos sábados e outra aos domingos. Tinha também a questão das duas cirugias que eu enfrentei antes da viagem, e de todas as dúvidas que cercavam a minha recuperação, visto que eu não tinha garantia alguma de que me recuperaria a tempo de viajar.

Heffernans

Deu tudo certo, e mesmo estando tão ansioso com os pubs, fui ter a primeira experiência após uma semana no país. Depois disso não parei mais. Logo na primeira vez eu tive a experiência de conhecer irlandeses, degustar um pouco da cultura local. Uma das tradições por aqueles lados, é oferecer verdadeiros banquetes totalmente gratuítos para os frequentadores. Isto ocorre em eventos esportivos importantes, principalmente durante partidas de rugby ou em grandes prêmios de corridas de cavalo. Irlandeses adoram apostar em derbys, melhor ainda acompanhado de comida de graça e muita cerveja local.

The Reg Pub

Conheci muita gente de várias nacionalidades. Multiculturalidade, ideias diversas. Nunca imaginei que papo de boteco iria me enriquecer tanto e me faria crescer tanto como pessoa. Além de brasileiros, tinha muita amizade com espanhóis. Devido ao meu trabalho, acabei por conhecer e compartinhar mesa de pub com muita gente do leste europeu e com os próprios irlandeses. Que experiências fantásticas foram aquelas.

Geoff’s

Falando mais diretamente em pubs, eu tinha o meu favorito. Era o Geoff’s. Tinha uma decoração bem típica, a melhor cerveja ever (Paulaner em torneiras de pub é imensamente superior as latas e garrafas), um som legal, bom atendimento, e tinha o principal. Aquela atmosfera irish, aquela coisa que remetia ao passado, e que me deixava muito realizado por estar ali. Ah tinha também os petiscos mais baratos (só a título de informação, comer fora na Irlanda é caríssimo), e toda a galera ia pra lá.

O meu segundo favorito era o Tully’s, onde eu ia com a galera do trabalho. Inclusive tem foto dele postada em algum artigo por aqui. Para a copa do mundo da Rússia, descobrimos o Heffernans, uma jóia escondida. Não era frequentado por ninguém que conhecíamos, e tinha um baita telão para vermos as partidas.

Recomendo a todos ter este tipo de experiência, algo que com certeza irei fazer novamente assim que as coisas se normalizarem. Foi uma das melhores coisas que me ocorreram por lá, e sempre me arranca um sorriso do rosto quando me voltam estas memórias.

Tradições

SJP #6

Recentemente encontrei um grupo no facebook que divulga fotos antigas de nossa cidade. Algumas destas construções, bem poucas por sinal, ainda resistem ao tempo. Esta nostalgia da São José de antigamente é assunto corriqueiro com o meu pai, da época que ele diz ter só banhado e plantação de milho na cidade. Uma deliciosa viagem no tempo.

Lembro-me bem desta foto. Foi tirada em 1992, época em que eu estava na 2a série. Ficávamos vendo se tinha algum conhecido por ali. Depois, esta foto virou capa do anuário da escolinha (aquela que o aluno tirava com a bandeira do Brasil ao fundo).
Assim era o calçadão da Rua XV de novembro. Ainda lembro bem dessa época. A rua era bem mais bonita, mais arborizada.
Lembro-me vagamente do aeroporto desta forma. Meu pai se aposentou na Infraero, e uma das melhores lembranças que tenho da infância é a dele me levando de bicicleta até lá para pegar o pagamento, fazer um lanche e ver os aviões.
Também lembro de quando o hospital era assim. Foi reformado e ampliado umas 2x depois.

As demais fotos foram retiradas do acervo do grupo, um belo exercício de imaginação para tentar descobrir como era a vida em outros tempos por aqui.

Igreja matriz
A loja A boneca existe até hoje, na mesma rua mas em outro ponto.
ônibus que ia até a colônia Marcelino. Se hoje já é longe e difícil ir até lá, fico imaginando naquela época.
Pra encerrar a mais bela de todas, poderia ser facilmente emoldurada e colocada na parede. Localidade de Cachoeira, no interior do município.

A verdade absoluta

A grande verdade é…

Eu não sou dono da verdade. Eu não sou parâmetro, não leve em conta as minhas opiniões. Não me leia, não me leve a sério. Tenho minhas idéias formadas, mas as minhas convicções não são verdades absolutas. Não são nem ao menos as minhas verdades. Posso ter sido influenciado por alguém para falar sobre isto. Sou totalmente parcial. E opinião não é fato, não é conceito.

Hoje em dia virou corriqueiro desmerecer fatos ou relativizar conceitos. Na era do “na minha opinião“, não existem mais verdades. Tudo é relativo. E isto é muito perigoso. Eu não sou infectologista, logo não falarei sobre a pandemia. Não sou jurista, logo não tenho credenciais pra falar sobre operação lava jato. Mas parece que agora todo mundo é. Até motorista de uber, o jardineiro do meu pai, o padeiro da esquina, todos tem que emitir uma opinião. Não fique de fora, ninguém deve ficar de fora. Se você não emitir sua opinião você é burro, alienado, isentão.

Contudo acontece muito de eu conversar sobre algo e alguém expor um ponto de vista que me chama atenção. Eu fico feliz quando isso ocorre. Tenho humildade para reconhecer e agradecer a pessoa por contribuir com algum assunto que não domino. Aqui na blogosfera isso ocorre a todo momento.

Creio que o único tema mais polêmico ao qual eu emito opinião mais enfática e tento esclarecer as pessoas (quando me é solicitado), é sobre veganismo/vegetarianismo. Mas só o faço para desfazer conceitos equivocados. São quase 17 anos da minha vida dedicados a estudar a ciência e tecnologia da carne, a trabalhar em frigoríficos e com nutrição animal, e a ter que me debruçar muito sobre pesquisas e artigos técnicos. Portanto nesse assunto sim eu me considero versado. Ainda assim, não perco meu tempo caso eu julgue que não vale a pena.

Em algum momento dedicarei um artigo sobre o tema por aqui, quem sabe vai virar uma série no blog para 2021. E caso você caro leitor se sinta ofendido com as coisas que eu vou expor, ou com aquilo que acabei de escrever, lembre-se da frase inicial deste texto. Eu não sou dono da verdade. Eu não sou parâmetro, não leve em conta as minhas opiniões.

Abraços fraternais!

Troféu Cachorro Magro 2020

E ele voltou! Após uma longa pausa devido a falta de patrocínios (a última edição rolou em 2011), este importante prêmio da blogosfera dá as caras para encerrar o ano. As categorias e os escolhidos não refletem necessariamente lançamentos de 2020, mas sim aquilo que EU consumi e avaliei como sendo mais relevante durante este ano. E vamos aos premiados!

Música – The 1975 – Somebody Else

Banda – Turnover

Album – Marcelo Bonfá – Outono

Livro – O menino no espelho – Fernando Sabino

Filme – Sinfonia Caipira

Programa de TV – Um pé de quê?

Canal do Youtube – Thomas Frank; Alta Fidelidade

Podcast – The Minimalists

Site/blog – Bom, neste ponto seria injusto eu mencionar apenas um. Aproveito agora para agradecer a todos aqueles escritores que eu sigo na blogosfera, e a todos os que me seguem e me inspiram a continuar escrevendo. Tenho certeza que o próximo ano será melhor para todos.

Para encerrar esta premiação, deixo o vídeo do ano, torcendo para que em 2021 tenhamos mais motivos para comemorar do que decepções, e que nosso mundo vibre como a energia deste clipe abaixo. Um forte abraço e até ano que vem!

Brothertiger

Chegou dezembro, e para aqueles que usam o spotify junto vieram as estatísticas do ano. E para mim não foi surpresa alguma que o artista mais ouvido foi Brothertiger. Conheci por acaso seu trabalho, através de uma playlist denominada Indie Music no Superplayer. Escolhi algumas canções para fazer parte da minha playlist permanente do intercâmbio, e Crazy, Again estava lá.

Mas foi somente no inicio deste ano que resolvi realmente conhecê-lo detalhadamente. Faz parte de um movimento chamado chillwave, e que teve seu boom no início dos anos 2010. E a primeira surpresa foi ao saber que não se trata de uma banda, mas de um único músico com seus sintetizadores e teclados. Alías, existe ali uma forte influência dos grupos de Eurodisco dos anos 80, e de grupos como A-ha, Duran Duran e Tears for Fears. Este último inclusive, recebeu uma homenagem de BrotherTiger, que regravou cinco músicas do icônico álbum Songs From the Big Chair, de 1985. Este tributo possui uma roupagem bem mais sombria e atualizada. Podemos ter uma idéia de como seria o disco original caso tivesse sido lançado nos dias de hoje.

Além deste cover, o trabalho de Brothertiger é formado por mais seis álbuns, dentre discos instrumentais e EPs. Out of Touch (2015), é o meu trabalho favorito, mas o lançamento mais recente Paradise Lost, lançado em setembro deste ano me chamou muito a atenção.

Talvez por isto Brothertiger é o meu artista mais ouvido do ano, pois devo ter ouvido (e ainda ouço) estes dois discos, junto com o cover do Tears for Fears repetidas vezes. Os trabalhos instrumentais denominados Fundamentals vol. I e vol. II são ótimos para ativar a concentração. Segundo os dados do Spotify, eu estou entre os 0,5% de ouvintes que mais tocaram este artista na plataforma neste ano de 2020. Mas, me diz aí, qual foi o seu artista mais ouvido em 2020?

Perspectiva

Me considero católico. Sempre fui. Nunca flertei com outras religiões, apesar de ter interesse e até buscar conhecer um pouco mais sobre outras doutrinas. Também não costumo falar sobre minha religiosidade por aí, até porque ela anda meio em baixa no momento. Quando alguém questiona, busco mudar de assunto, é algo que acho que não vale a pena o desgaste (principalmente tratando-se de doutrinadores).

Minha mãe era católica fervorosa, destas que ia pra igreja todo dia. E me arrastava junto, e me criou segundo os conceitos do catolicismo. Eu não gostava na época, achava chato e sem sentido seguir algo imposto e que pouco me dizia. Mas, por respeito e temor a ela, eu frequentei catequese, me crismei, ia as missas, grupos de jovens e novenas. Quando ela faleceu, eu simplesmente abandonei. Fiquei muito revoltado. Quando alguém vinha querer falar de Deus, eu somente respondia, que se Ele era tão bom, por que deixou a minha mãe, que era tão devota, ir embora cedo e de maneira tão sofrida. Mas na época eu tinha só 16.

Foram necessários mais de dez anos para eu dar uma nova chance. E foi num momento desesperador, em meio a crises de ansiedade e ataques de pânico. Voltei ao grupo de jovens, desta vez na cidade em que morava no interior do RS. E para mim foi muito mais do que simplesmente seguir uma religião. Foi uma mudança de mentalidade. Estar aberto a Deus, fez com que eu me abrisse a outras experiências. Fiz grandes amigos devido a este retorno, tive forças para melhorar minha saúde mental, fiquei mais forte. Hoje, apesar de não estar mais frequentando assiduamente, ainda percebo a importância que o catolicismo teve na formação de quem eu sou. A sensação de pertencimento é algo muito reconfortante das religiões.

Pena que muitas vezes a perversão de doutrinas acabam afastando e até gerando preconceito (tanto interno quanto externo). Vi um vídeo recentemente em que várias pessoas rezavam em frente ao congresso, pareciam zumbis. Mas mesmo que pareça sem sentido, pode ser que seguir um dogma é a única esperança que alguém tenha. Ainda bem que fui bem instruído neste ponto, mas fico pensando naqueles mais humildes, que depositam toda a esperança em algo maior e tem a visão tapada pela viseira do extremismo. Bom seria se cada um conseguisse o equilibrio necessário e adquirisse a perspectiva para tirar aquilo de melhor que uma crença religiosa pode ter a oferecer.

Simples

O maior impacto do meu momento atual é totalmente financeiro, visto que atualmente tenho cerca de metade dos rendimentos de outrora. Sinceramente isto não vem sendo um problema para mim. Vivo até melhor hoje, mas tive que readequar meu estilo de vida. Um estilo mais simples.

Há tempos eu buscava levar uma vida mais simples, e consegui vários benefícios, principalmente para a minha saúde mental e minha felicidade no geral. Hoje estou em paz comigo mesmo, próximo da família e de amigos antigos. A simplicidade que resolvi tomar para mim ajudou a clarear as ideias. Não ligo pra marcas, grifes, status, coisas no geral. Tornei-me mais frugal. Só compro algo de forma consciente, invisto mais em experiências e menos em objetos.

Hoje preparo minha própria comida, como mais legumes e verduras e menos gordura. Pratico mais exercícios ao ar livre, e a minha bike, ah essa anda mais ativa do que nunca nas zonas rurais de meu município. Minha espiritualidade está mais desenvolvida. Visito semanalmente meus pais, brinco com as crianças, procuro meus irmãos.

Posso não estar com a conta bancária recheada, mas estou com o coração cheio. Cercado de pessoas simples, e que a cada dia me passam mais ensinamentos de que é possível sim viver com menos, trocar o ter pelo ser. Nem sempre eu consigo, mas também não preciso ser extremo, prefiro a leveza à rigidez.

Tenho convicção de que mais cedo do que tarde eu retomarei a remuneração de antes. Entretanto, os últimos três anos foram fundamentais para uma mudança de comportamento tão profunda que será quase impossível voltar ao patamar de antigamente.

Planejando um intercâmbio #2

Na primeira postagem desta série, contei um pouco sobre como o desejo de realizar um intercâmbio nasceu em mim. A partir de agora eu parto para a parte mais prática do negócio. E a primeira coisa, e talvez a mais importante de todas, é identificar qual é o seu objetivo. Parece óbvio, mas muita gente peca nesta etapa.

Ao saber o motivo de você querer fazer um intercâmbio, e o que se almeja com isto, fica mais claro definir para onde ir, e se planejar financeira e burocráticamente. Existem diversas opções e modalidades de programas. Não posso falar muito sobre intercâmbios acadêmicos já que isto varia muito de instituição para instituição. Mas, normalmente são programas acadêmicos de um ano. Conheci um monte de brasileiro na Irlanda que estava lá através do programa Ciência sem fronteiras. A cidade em que eu morei tem uma das maiores universidades da Irlanda, e atrai muitos estudantes de engenharia e tecnologia.

Agora se o objetivo for aprender um novo idioma ou aprender uma nova cultura, existem instituições culturais de certos países que promovem esta possibilidade para os participantes destes clubes. É o que ocorre por exemplo com o Rotary e com o instituto Goethe. Ainda sobre aprender um novo idioma, escolhido o idioma basta escolher um destino e pesquisar sobre a burocracia para entrar no país. Para o espanhol por exemplo, torna-se um pouco mais fácil e até mais barato, por estarmos rodeados de países que falam esta língua. Além disto, conta o fato de que em muitos destes não necessitamos aplicar para visto e podemos residir legalmente e até trabalhar nestes locais.

Para o inglês, aí vai depender do país. Cada país tem suas regras, inclusive quanto a permissão de trabalho, periodo de residência e a possibilidade de mobilidades entre outros países. No futuro farei uma postagem falando especificamente sobre as experiências e trâmites legais que enfrentei para residir em dois países diferentes na Europa. A boa notícia para fugir do óbvio, é que agora é possível realizarmos esta modalidade de intercâmbio com direito a trabalho em países de outras línguas, como o Francês e o Alemão. Mas não tenho qualificação para falar sobre estes países, visto que são programas que foram aprovados a pouco tempo.

Também tem a questão atual da pandemia que estamos vivendo, a crise migratória na Europa, o Brexit e várias questões internacionais que devemos sempre estar atentos. Mas a dica mais preciosa que eu deixo por aqui, é – pequisem muito, não só na internet. Vá atrás de instituições certificadas e agências de intercàmbio. Conheci uma pessoa que seu deu muito mal em sua viagem por querer economizar e fazer os trâmites diretamente com a escola. É possível fazer isto, mas a economia é tão baixa comparada com a praticidade e tranquilidade de se contar com uma assessoria paga, que acho que nem vale a pena arriscar. Na próxima postagem desta série vou esmiuçar um pouco mais a relação tempo disponível x custo x modalidades disponíveis para intercâmbio visando aprender um novo idioma. Até lá!

Açores #2

Nesta semana o google me enviou uma lembrança de um dos momentos mais marcantes que já tive. Nem precisaria ter enviado, afinal eu jamais esquecerei esta experiência. Já falei um pouco sobre a minha experiência por lá, mas agora passados dois anos, consigo tirar visões e impressões mais apuradas. O que mais me chamou atenção, é de como eu acabei esquecendo de lugares e detalhes, que vieram à tona quando revi as fotos.

Viajar para o arquipélago dos açores era um sonho antigo, uma ideia que iniciou-se em 2005. Foi através de um anúncio de intercâmbio acadêmico que estava disponível para os alunos da UFPR em parceria com a Universidade dos Açores. Fui pesquisar a respeito e fiquei encantado com o local. O roteiro das ilhas estava em meu planejamento desde o início do meu intercâmbio, e resolvi fechar a minha jornada européia por lá. Acabei optando por visitar a ilha maior, São Miguel, e me instalei em Ponta Delgada, a capital da ilha com seus 80 mil habitantes.

Não somente a cidade, mas todas a ilha é incrível. É difícil de imaginar que tal beleza e desenvolvimento existam no meio oceano atlântico, a mais de 3000 quilômetros do continente europeu. Aliás, as ilhas ficam no meio do caminho entre a Europa e a América do Norte, e servem de escala para muitos voos entre os dois continentes. Eu precisava de um tempo sozinho para tirar as minhas próprias conclusões a respeito da minha jornada, e pra quê local melhor que uma ilha? Não vou escrever muito a respeito, visto que já tem uma postagem sobre o local. Vou postar mais fotos sobre a cidade. Ah, e terá uma parte III, relatando um tour muito legal que fiz no interior da ilha! Tanta coisa legal não caberia num artigo somente!

A belíssima arquitetura portuguesa da época colonial
O por do sol dos açores
A arte sacra colonial sempre presente
Jardins e praças muito bem cuidados. Chama atenção os detalhes e a preservação dos monumentos históricos.
Os famosos azuleijos portugueses presentes em todos os lugares
O vai e vem da cidade num dia típico açoriano
70 euros por 6 dias no centro da cidade, precisa mais do que isto?
Mais uma vez a beleza dos jardins e a arquitetura local bem preservada ao fundo.

Universo Paralelo

Ao final de 2014 resolvi marcar o meu retorno ao Rio Grande amado de uma forma diferente. Pesquisei muitos destinos e opções para passar as férias de fim de ano. Em conversas com amigos em roda de bar, fiquei sabendo de um festival de música que ocorreria em uma chácara. Seria na virada do ano, num local de natureza exuberante, com cachoeira, e o melhor de tudo, perto de Marau (a Colonha que tanto descrevi no início do blog). Para quem não sabe ou não recorda, Marau foi a primeira cidade em que morei no RS, e talvez a mais marcante em minha vida até hoje. Poderia dar uma esticada até lá e rever os amigos.

Encontrei através de grupos do facebook uma excursão que sairia de Bento Gonçalves. Entrei em contato com os organizadores, e lá fui eu. Perdido num bando de malucos vindos de diversas cidades da Serra. Foi meio que uma sintonia instantânea, entrei numa vibe jamais experimentada antes. Tinha gente de todo tipo naquela van. O festival prometia, mas confesso que estranhei. Era toda a sorte de bicho-grilo que parecia ter saído de uma outra era, quiçá de outra dimensão. Diferenças a parte, resolvi aproveitar o festival. Fiz várias amizades, foi uma baita duma experiência. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas só falei da parte boa até agora.

O local do evento teve que ser modificado devido a liberação de alvará. E aí já viu, mudança de local as pressas não poderia dar em coisa boa. Faltava estrutura no local, falta de banheiros adequados (acho que não mencionei, mas ficaríamos seis dias acampados por lá). Tínhamos que aguardar uma hora na fila para fazer um pedido no restaurante. Mas o pior não foi isto, desde o dia anterior só chovia no local. Devido a isto e ao isolamento da área, o palco atrasou para ser montado, coisa que ocorreu somente no primeiro dia do evento. Quando o caminhão entrou com os equipamentos, foi formando um lamaçal pra todo o lado.

A galera da minha excursão resolveu acampar depois do rio. Tínhamos que atravessar uma pequena ponte e uma pinguela para chegar ao local. Como eu morro de medo de água, optei por acampar sozinho numa área mais próxima ao palco. Devido a chuva e ao barro formado, a gente já saía das barracas descalço e de bermuda. Ficar sujo e molhado o dia todo já havia se tornado tão comum que ninguém ligava.

Devido ao atraso para a montagem do palco, um grupo itinerante que estava ali somente para tapar buracos entre os shows ficou encarregado de animar a galera. Não foi nada programado, mas aqueles caras salvaram o festival naquele primeiro dia. A galera toda se juntou debaixo do salão onde ficava o restaurante, e os caras tocavam durante horas a fio, e a galera em volta toda emanando uma vibe fora do normal. O grupo se chamava Caravana Gipsy, e tinham um conceito musical bem interessante. Coincidências à parte, encontrei com um desses caras da banda mais umas três vezes desde então. Uma em Gramado, uma em Itajaí e outra em Curitiba, mais recentemente. Dentre as atrações musicais presentes, destaco esse cara aí embaixo.

Apesar de boa, minha experiência no festival encerrou-se precocemente. Como falei anteriormente, deixei a minha barraca na parte de baixo de um morro. O resultado disso foi que com o excesso de chuva e de barracas acima da minha, a água desceu com força e praticamente inundou as minhas coisas ao final do segundo dia. Foi o fim da linha para mim. Consegui após a virada do ano uma carona até Vila Maria (já falei desta cidade neste texto). Peguei minhas coisas e fiquei hospedado na mesma pensão em que morei quando cheguei em Marau. Por sorte a dona ainda lembrava de mim, e me deixou lavar e secar todas as minhas roupas e a minha barraca por lá. O que me deixou mais frustrado foi que depois que deixei o festival, abriu o sol tão esperado. Entretanto consegui visitar uns amigos em Marau, e após estar com as coisas todas arrumadas novamente, tomei um ònibus de linha e voltei para a minha rotina.